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Uma narrativa,
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Assessoria de imprensa para aparecer no ChatGPT

Imagem de capa do ChatGPT

Quando alguém me procura falando em assessoria de imprensa pra aparecer no ChatGPT, quase sempre a primeira coisa que preciso explicar é que existem duas coisas completamente diferentes escondidas atrás dessa mesma frase.

A primeira é assessoria de imprensa que usa inteligência artificial. É a assessoria que emprega ferramentas de IA pra escrever release mais rápido, montar lista de jornalista, monitorar menção na mídia. É útil, é produtivo, e praticamente todo mundo do setor já está fazendo isso de algum jeito.

A segunda é assessoria de imprensa pensada pra fazer sua marca ser citada quando alguém pergunta sobre o seu mercado pra uma IA. Aqui, o ChatGPT entra como um público a mais na lista, ao lado do leitor humano, e passa a fazer parte de como a comunicação é planejada desde o início.

Essa segunda versão é a que realmente importa hoje, e é sobre ela que quero falar.

Por que o ChatGPT lê imprensa antes de ler o seu site Sempre que uma IA generativa precisa responder alguma coisa sobre uma empresa, ela recorre ao que já foi publicado sobre essa empresa em algum lugar de confiança. E o lugar que essas ferramentas mais confiam, de forma consistente, é imprensa e mídia espontânea, não o site institucional da própria marca.

Isso faz um sentido enorme quando você para pra pensar como jornalismo funciona. Uma matéria publicada passou por apuração, por edição, por um crivo de terceiro que não tem interesse comercial em exagerar as qualidades da empresa. Uma página institucional, por outro lado, é a própria empresa falando bem de si mesma, sem nenhum filtro externo. Do ponto de vista de uma máquina tentando avaliar o que é confiável, a escolha entre as duas fontes não é difícil.

Ou seja, quando alguém pergunta pra uma IA quais empresas lideram um determinado setor, ou o que diferencia uma marca da outra, a resposta que vem de volta foi construída, em boa parte, com o que a imprensa já escreveu sobre essas empresas. Se sua marca nunca apareceu bem em nenhuma matéria relevante, a IA simplesmente não tem material suficiente pra te incluir na resposta com força.

O que muda no trabalho de assessoria quando o objetivo é esse

Na prática, boa parte do trabalho continua sendo o de sempre. Relacionamento com jornalista, construção de pauta, preparo de porta-voz, tudo isso não muda. O que muda é o critério usado pra decidir onde investir esforço.

Primeiro, os veículos passam a ser escolhidos também pela força que eles têm como fonte pra IA, não só pelo alcance de leitor humano. Uma matéria bem posicionada num veículo especializado do seu setor pode valer mais nesse jogo do que uma nota solta num portal genérico de grande alcance, porque a IA tende a confiar mais em fontes especializadas quando o assunto é técnico.

Segundo, a consistência da mensagem entre matérias diferentes ganha peso que não tinha antes. Se cada entrevista sua conta uma versão ligeiramente diferente do que a empresa faz, a IA recebe sinais confusos e tende a gerar uma descrição mais genérica, menos precisa. Se a mesma mensagem central aparece, reformulada mas reconhecível, em várias matérias ao longo do tempo, a IA tem material mais forte pra montar uma resposta específica sobre você.

Imprensa pensada pra ser lida por IA não muda o jornalismo. Muda o critério de prioridade de quem decide onde investir.

Terceiro, e talvez o ponto mais prático: entrevistas e artigos assinados por executivos ganham um valor extra, porque texto atribuído a uma pessoa específica costuma carregar mais autoridade do que texto institucional sem assinatura. Um artigo publicado num veículo relevante, assinado pelo CEO ou por um especialista da empresa, funciona como fonte dupla: reforça a mensagem da marca e credencia a pessoa, e as duas coisas ajudam a IA a entender quem é quem no seu setor.

Um exemplo de como isso aparece na prática

Imagina duas empresas do mesmo setor de tecnologia. A primeira publicou seis notas em veículos diferentes ao longo do ano, cada uma com um ângulo distinto e sem fio condutor nenhum entre elas. A segunda publicou três matérias, menos no total, mas todas reforçando a mesma aposta de mercado, com o mesmo porta-voz e as mesmas duas ou três mensagens centrais aparecendo de formas diferentes.

Do ponto de vista de alcance bruto, a primeira empresa pode até ter tido mais menções. Mas do ponto de vista de uma IA tentando entender e resumir quem é cada uma dessas empresas, a segunda tem uma vantagem real: existe um padrão claro pra reconhecer e repetir. A primeira vira um conjunto de fatos soltos. A segunda vira uma narrativa reconhecível.

Esse é o tipo de diferença que só aparece quando alguém planeja a imprensa pensando nesse novo tipo de leitor desde o início, e não como um ajuste feito depois que a comunicação já está pronta.

O convite prático Se você já investe em assessoria de imprensa, a pergunta que vale a pena fazer não é se precisa trocar de fornecedor ou começar do zero. É se as matérias que já saíram esse ano contam a mesma história, com o mesmo porta-voz, reforçando a mesma aposta de negócio. Se a resposta for sim, você já está mais perto de aparecer bem numa resposta de IA do que imagina. Se a resposta for não, o ajuste é mais simples do que parece: não é fazer mais, é fazer com mais fio condutor.

Assessoria de imprensa pra aparecer no ChatGPT não é um serviço separado do que sempre existiu. É o mesmo trabalho, com um critério novo guiando as escolhas de onde e como investir.